Papiro (Erótico) de Turim 2


 Há uma célebre expressão que diz “cada geração pensa que inventou o sexo”. Se você acha que a sociedade é depravada hoje, claramente não está a par de documentos antigos de todas as épocas que mostram como somos entusiastas do sexo há tempos. Os antigos egípcios deixaram evidências de uma espécie de Kama Sutra na forma do “Papiro Erótico de Turin”. O documento, com mais de 3.000 anos de idade, apresenta diagramas de doze posições sexuais diferentes. Alguns dos objetos vistos com os casais amorosos nas imagens são bastante normais, como cerveja e vinho. Outras coisas, como o chocalho do amor ou um enorme falo apoiado por uma equipe de servas, parecem ter caído em desuso atualmente. As posições retratadas são impressionantemente acrobáticas e irritantemente ambiciosas, com pessoas praticamente de ponta cabeça e charretes no meio de tudo isso (veja alguns detalhes abaixo).

Representação do Papiro Erótico de Turim - Pesquisador Urandir

O erotismo egípcio antigo pode ser representado, basicamente, em três tipos de fontes. A primeira delas pode ser encontrada na forma de imagens gráficas (papiros, gravação sobre pedras, utensílios domésticos, etc.), a segunda em redações literárias (como poemas) e a terceira nas chamadas “artes práticas” (textos médicos, diários de viagens, etc.). Entretanto, a quantidade de fontes que encontramos relacionadas à temática sexual e erótica é escassa e quando encontrada, na maioria das vezes, carece de conservação.

Papiro erótico de Turim - Pesquisador UrandirSexualidade e erotismo estavam ligados a um modo religioso de ver o mundo por parte dos antigos egípcios. As manifestações de caráter erótico não eram vistas como “mundanas” pela população do Nilo. Papiro erótico de Turim - Sexualidade nas terras do faraó - Pesquisador UrandirPelo contrário. Eram relacionadas com rituais de fertilidade que garantiam a fecundidade das terras próximas ao Nilo. Deuses com histórias mitológicas carregadas de sexualidade eram Osíris, Ísis, Seth e Hórus (outros casos também existem).

O Papiro Erótico de Turim, encontrado em Deir el-Medina, é a fonte escrita mais conhecida quando se trata de estudos relativos ao erotismo na Terra dos Faraós. Armazenado no Museu Egípcio de Turim, está em um avançado estado de deterioração. Basicamente ele apresenta uma sequência de doze cenas que envolvia uma orgia entre homens e mulheres.

O papiro é guardado com bastante cuidado e necessita-se de uma autorização especial para analisá-lo de perto. Curiosamente, tal como os gibis modernos, algumas das cenas libertinas exibem um pequeno texto anexo. Seria um recurso explicativo?

A região de Deir el-Medina tinha uma considerável produção de artefatos relacionados ao erotismo. Se grande era a produção, maior ainda, podemos cogitar, que seria a demanda. “[…] A extraordinária importância que as classes mais baixas do Egito antigo davam a sexualidade foi retratada nos achados arqueológicos. […]” (EL-QHAMID; TOLEDANO, 2007: p. 23).

Papiro Erotico de Turin - Pesquisador UrandirPara os antigos habitantes do Nilo cada órgão ou ato sexual poderia apresentar uma dúzia de sinônimos, sendo o homem, sempre, o elemento dominante do erotismo egípcio. Os autores de “Erotismo e Sexualidade no Antigo Egito”, El-Qhamid e Joseph Toledano, também nos falam a respeito da chamada “prostituição ritual” que acontecia tanto nos arredores do Egito quanto no próprio Egito: “[…] Nas culturas vizinhas do Egito, a prostituição ritual era muito difundida, e nos centros de culto religioso havia prostíbulos ‘para a glória do deus’. Como resultado da prostituição ritual, os lugares sagrados eram decorados com pinturas e esculturas eróticas que serviam de chamariz. Em contrapartida, não existe unanimidade em torno da ideia de que, no Egito, a prostituição tenha sido institucionalizada […].” (EL-QHAMID; TOLEDANO, 2007: p. 24).

Um fato bastante interessante dentro desta temática sexual-erótica, são os dados relativos ao adultério, ato que seria praticado pelas mulheres dos trabalhadores do Vale dos Reis. Os operários eram naturais de Deir el-Medina e iam para o Vale trabalhar na construção das tumbas. Ficavam por um período de dez dias e após isso voltavam para suas casas para descansarem num intervalo de três dias. O tempo em que os maridos estavam fora de casa era “hora perfeita” para o adultério feminino acontecer. Em outros relatos vemos casos de homens e mulheres que se relacionavam intimamente com animais (zoofilia). Entretanto, tendo em vista que viviam sobre uma cultura diferenciada, necessitamos perceber que esse ato tinha caráter religioso para os egípcios. A homossexualidade masculina era relativamente tolerada, graças, principalmente pelas aventuras entre Seth e Hórus. O lesbianismo aparecia em alguns textos, mas era menos frequente.

Muito populares na época estavam os amuletos e remédios para melhorar o desempenho sexual. Receitas para cessar a impotência, aumentar a fertilidade e até precaver a gravidez indesejada já eram de uso habitual entre homens e mulheres desde os tempos faraônicos. E, ao contrário do que ainda conseguimos perceber na sociedade atual, erotismo e sexualidade não eram encarados como tabu pelos antigos egípcios. Tudo era uma questão de costume ou então, de um ponto de vista religioso.

Animadinhos nossos antepassados faraônicos!


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2 thoughts on “Papiro (Erótico) de Turim

  • Rafaela

    Nossa gente .. fiquei pasma com isso, não imaginava que era assim na antiguidade.
    Mas enfim, sempre é bom estudar e aprender com os anciões, não é o que dizem? então vamos estudar e aprender com eles kkkk.

  • FátimaZ

    A sexualidade no antigo Egito tinha uma conotação diferente aos dias atuais. Não se restringia apenas a busca do prazer, mas sim a ação criadora, ou ao da origem da vida. Os deuses egipcios faziam sexo se sentiam prazer, assim como em outras religiões da antiguidade. Para os egipcios o ato sexual foi o fator para a criação do mundo.