Império Antigo


Estela de Shespy - Pesquisador UrandirO Império Antigo do Egito, também chamado Reino Antigo é o período da história do antigo Egito, que compreende entre 2.700 e 2.200 a.C. Fazem parte desse período as dinastias III, IV, V e VI.

O Império Antigo forjou e consolidou o sistema político, cultural e religioso surgido durante o período protodinástico, com a aparição de uma monarquia cujos atos mais notáveis são a divinização do faraó (os egípcios crê que o faraó assegurava as inundações anuais do Nilo, o que era necessário para suas colheitas) e um poder político fortemente centralizado.

Nessa época é marcada pela influência do faraó Djoser (Zoser), que muda a capital a Menfis e estende seu o império egípcio desde a Núbia ao Sinai.  Mais importante que Djoser foi Imhotep, o arquiteto da pirâmide escalonada de Saqqara, sumo sacerdote de Ptah, divinizado na época ptolomaica. Também as grandes pirâmides de Guiza, atribuídas aos faraós Queops, Quefren e Miquerino se datam nessa período.

Depois do longo reinado de Pepi II, e a debilidade do poder real, os monarcas (governantes dos Nomos) se fortaleceram e converteram seus cargos em hereditários. Então o Egito passou a um período histórico no qual se descentralizou fortemente o sistema político, sendo denominado pelos historiadores como primeiro período intermediário.

Durante a V dinastia, começaram as reformas que debilitaram o poder do faraó e do governo central, a figura do faraó passou  de o mesmo deus Ra vivo, a somente Filho de Ra. Com isso, o monarca começou a depender da casta sacerdotal, que ganhou mais poder e influencia. A manutenção dos cultos e a construção das pirâmides e monumentos acabaram com as reservas econômicas do Estado.

Os interesses comerciais do Egito em mercadorias como o ébano, morra,incenso, ouro, cobre e outros metais inspiraram os antigos egípcios a construir grandes barcos para navegar em mar aberto. Os construtores de barcos daquela época usavam cordas para travar seus barcos quando atracava em terra.

Eles negociaram com o Líbano para obter cedro e viajaram pelo Mar Vermelho até o reino de Punt, atualmente Etiópia e Somália para obter ébano, marfim e especiarias aromáticas.

Por outro lado, a necessidade de realizar trabalhos hidráulicos que regulassem as cheias do Nilo, obrigou a criar uma estrutura organizadora cada vez mais complexa que foi o cerne do Estado centralizado egípcio.

Os trabalhos de drenagem e irrigação reclamam a cooperação de toda a comunidade, criando um vínculo econômico que gera a solidariedade social…. que conduz á unificação política de toda região que depende de um mesmo sistema fluvial.

V. G. Childe, 1934

A sociedade estava hierarquizada em três níveis:

  • Faraó: depositário do direito divino, lhe atribuíam todos os poderes de mediação com Horus.
  • Altos Funcionários: sumo sacerdotes e escribas
  • Povo: camponeses, artesãos, escravos entre outros.

Enquanto a ideia de um faraó opulento, não de tudo exata. Os faraós doavam uma série de direitos, estava estendida a propriedade privada, existia a possibilidade de ascensão social e até cargos que se fizessem hereditários. O faraó era proprietário de homens e terras, teologicamente, porém na realidade a propriedade privada era um direito com garantias jurídicas e legais, garantidas pelo Estado caso estivesse registrada, existindo assim, sensos bianuais de bens móveis e imóveis da população:

Se adquirido… mediante pagamento de duzentas aruras de terra… com boas construções e bem equipada… Isso está escrito aqui em conformidade com o escrito real. Seus nomes estão aqui em conformidade com o escrito real.        Autobiografía de Mechen. Daumas.

A população urbana se concentrava ao redor do Delta e do Vale do Nilo. Os núcleos urbanos eram o motor ideológico doA Grande Esfinge de Guiza - Pesquisador UrandirA Grande Esfinge de Guiza - Pesquisador Urandir Egito. Ali se assentava o comércio, as classes altas e as elites cultas. Se construíram os centros culturais e religiosos, a cidade mais importante dessa época foi Menfis, a capital.

A população rural era a base da economia. Assentada em povoados menores, estava composta por agricultores, empregados e trabalhadores autônomos que recebam salário em espécie. A existência de mercados implicava que também entre eles estava estendida a propriedade privada.

Na administração o cargo mais importante era o de chaty, que era quem presidia a administração central, e era designado pelo faraó. Dispunha de seu próprio conselho: chefes de missão. Presidia a corte de justiça como Chefe da Grande Casa de Justiça. Também era o guardador dos arquivos. Além disso, dirigia a fazenda pública, que centralizava todos os impostos e os produtos do campo, era o imposto da agricultura e da casa real.

O ministro da agricultura se ocupava dos assuntos do campo e seus ganhos. Nasce a figura do arrendatário de uma propriedade real.

Os escribas: Existia uma arquivo chamado de Casa da Vida no qual se reuniam todos os documentos relativos ao funcionamento da cidade. Entre os escribas se encontrava o chefe dos segredos, que ocupava-se de assuntos religiosos.

A administração das províncias estava baseada na figura do monarca: “Ele que abre os canais”, que era responsável pela irrigação, pelo rendimento agrícola, arrecadar impostos e fixar os limites das propriedades depois da inundação anual. Nessa época o número de nomos foi 38 ou 39.

Grande Pirámide de Guiza- Pesquisador UrandirNa arquitetura, os monumentos dessa época mostram a inteligência e capacidade organizativa dos arquitetos para construção, unida a destreza e habilidade dos artesãos egípcios que conseguiram o alto grau de esplendor que alcançou a civilização egípcia.

Os complexos funerários do Império antigo, construídos em pedra, formavam parte de um conjunto que era formado pela pirâmide principal, o templo funerário junto a pirâmide, um templo no vale e um caminho que comunicava todos os edifícios. Se completavam com pirâmides secundárias, barcos solares em fossos, etc. Eram extraordinários espaços arquitetônicos idealizados pra realizar solenemente as cerimônias de sepultamento.

Já na literatura, os textos que nos chegaram desse período, se classificam em vários tipos:

Textos religiosos: são os mais antigos que se conhecem dessa época e tem relação com o tema da vida depois da morte física, descrevendo o que deveria fazer o espírito do faraó para conseguir a imortalidade, até então o único egípcio que poderia obtê-la.

Textos das Pirâmides: Um conjunto heterogêneo de hinos, conjuras e normas úteis, compilados pelo clero para depois da morte, na viagem pela vida eterna. Gravados no interior das pirâmides durante o Império Antigo, ainda que a procedência de alguns textos seria a pré-dinastia.

Lições Sapientes: Textos pedagógicos com ensinamentos e conselhos cívicos e morais, eram bons exemplos de retórica:

Não fiques orgulhoso com teu saber, tome conselhos tanto do ignorante como do sábio.

Não se alcança os limites da arte e nenhum artista possuí a perfeição total.

Uma bela palavra está mais escondida do que uma esmeralda, porém se pode encontrá-la na serviçal que trabalha no moinho.

Ensinamentos de Ptahhotep (Bresciani. Literatura)

Textos das Pirâmides na camara sepulcral de Teti - Pesquisador UrandirTextos de caráter histórico: narravam acontecimentos e feitos de grande valor histórico, como a biografia de faraós, os fragmentos da Pedra de Palermo, com anais que incluíam reis pré dinásticos.

Textos de caráter técnico: como os papiros, de caráter administrativo, guardados nos arquivos do templo de Neferirkara, em Abusir.

Foram encontrados também textos de teatro religioso, onde se encenavam as aventuras do deus Horus.

A ciência, durante o Império Antigo alcançou um avanço notável em várias áreas como a aritmética e geometria, pela necessidade de calcular corretamente as superfícies de campos, depois da inundação anual do Nilo. Também sabiam calcular volumes, como da pirâmide e o trono da pirâmide, problemas de impossível resolução sem uma demonstração racional prévia.

A construção dos monumentos dessa época implica amplos conhecimentos dessas ciências. Também a astronomia desfrutou de um avanço significativo ao organizar o calendário  solar relacionado com os movimentos estrelares o que lhes permitiu orientar as pirâmides com grande precisão.

Depois dos reinado de Sahura, os poderosos monarcas (governadores regionais) estabeleceram disputas entre eles, que foram ficando cada vez pior, minando a unidade e o governo central.

Estatua de Menkaura - Pesquisador UrandirO golpe final foi uma severa seca na região das nascentes do rio Nilo, causada por uma drástica diminuição das chuvas, que por sua vez evitou as inundações anuais do Nilo.

O resultado foi o colapso final do Império Antigo depois de décadas de fome e distúrbios. Uma importante inscrição numa tumba de Anjfiti, um dos monarcas, durante o começo do Primeiro período Intermediário, descreve o estavo lamentável do país depois desse período.

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