NASA preocupada em contaminar Marte com micróbios terrestres


Após a divulgação da notícia de que existe água em Marte, a agência espacial nvida em marte quase comprovada pela NASA - portal pesquisa - arquivo urandir 2015 pesquisa extaterrestreorte-americana – NASA anunciou que não vai poder enviar o seu laboratório móvel, o Curiosity, analisar os córregos de água salgada em Marte, cuja descoberta, que tem implicações diretas na procura de vida extraterrestre, foi anunciada na última semana. Segundo a NASA, o receio é que isso possa contaminar o planeta vermelho com micróbios vindos da Terra.

Na origem deste dilema está a decisão, já antiga, de aumentar o nível de higiene e esterilização de todos os materiais que possam entrar em contato com ambientes úmidos suscetíveis de acolher eventuais formas de vida. Tanto a NASA quanto a  Agência Espacial Européia (ESA), assim como outras agências espaciais, seguem as regras de um tratado internacional que visa “evitar qualquer forma de contaminação prejudicial” durante a exploração espacial.

O robô Curiosity, que pousou em Marte em Agosto de 2012, tem por missão recolher amostras de solo e de rochas. “O Curiosity não foi feito para ir aos locais suscetíveis de albergarem vida microbiana”, explicou Michael Meyer da equipe de exploração marciana da NASA  para a AFP. Por isso, não pode de forma alguma aproximar-se dos córregos  úmidos que aparecem em certas encostas do planeta vermelho. “Para isso, precisaríamos de condições muito elevadas de limpeza”, salienta este especialista.

Já outros robôs, enviados há 40 anos pela NASA no âmbito do seu programa Viking e que também pousaram em Marte, teriam correspondido às exigências de limpeza agora necessárias. “Os robôs Viking eram essencialmente estéreis, mas as missões que enviamos a seguir não foram submetidas ao mesmo tratamento”, salienta Catharine Conley, que dirige o gabinete de proteção planetária da NASA, encarregada de evitar contaminações entre a Terra e os outros planetas. “Seria ótimo termos novamente essa capacidade, para podermos ir direto aos córregos e recolher amostras”, acrescenta.

“Não queremos ser lembrados como a espécie que foi a outro planeta e eliminou todas as formas de vida potencialmente presentes”, explica Jorge Vago, um dos cientistas do projeto ExoMars da ESA. Isto porque as bactérias terrestres poderiam, “em certas condições, encontrar um ambiente propício para prosperar. Então, isso está fora de questão”, frisa.

“E também queremos eliminar as bactérias dos nossos robôs para evitar descobrir vida em Marte e depois percebermos de que se tratam apenas de marcas deixadas por nós próprios”, acrescenta Catharine Conley.

Mas então, por que é que a NASA não tomou as devidas precauções, enviando um robô esterilizado, caso fosse necessário? “A presença de água à superfície de Marte não tinha sido confirmada nessa altura”, justifica Jim Watzin, diretor do programa de exploração marciana da NASA. “O Curiosity tinha sido concebido para prosseguir em outras pesquisas, que mostravam, através da geologia, que a superfície de Marte já apresentara elementos aquáticos num passado remoto,  mas não elementos aquáticos atuais”, explicou Watzin à AFP.

A outra razão que levou a não esterilizar o Curiosity foi financeira. “É uma questão de orçamento e de prioridades”, salienta Catharine Conley. “As pessoas têm tendência a preferir que façamos ciência interessante a custos reduzidos.” Para além disso, as técnicas de esterilização dos robôs Viking, que consistiam essencialmente em submeter os materiais a temperaturas muito altas,  teriam danificado os equipamentos electrônicos de hoje.

Já agora, também não foi prevista uma esterilização profunda para a próxima missão da NASA ao planeta vermelho — a Marte 2020 —, frisa Jim Watzin. Contudo, este cientista não fecha a porta a possíveis adaptações futuras.

Fonte: agencia AFP via publico.pt

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